Oi...
Muitas vezes na minha vida eu quis tocar o céu... Sempre me imaginei escalando montanhas gigantes que pudessem me levar mais perto daquele azul fascinante, uma imaginação aqui, uma outra ali, já fui piloto de avião, astronauta, cosmonauta, ( depois descobri que não tinha diferença entre eles ) Sempre procurava os lugares mais altos, nunca tive medo de altura, imaginava como seria poder tocar aquele azul, as vezes podia ver minha mão passando naquela superfície, e ela se abrindo ao meu toque, e que entre meus dedos eu pudesse sentir o toque do céu, tocar um anjo, pegar nas mãos de Deus, fazer um planeta girar... Sempre me fascinou o céu quando criança... Me lembro uma vez, antes de você nascer, havia um pânico geral aqui no Brasil, pois uma estação espacial desativada estava prestes a cair, ninguém sabia exatamente onde o fato se daria, e as pessoas morriam de medo pensando que aquele trambolho pudesse cair na Vila Bonilha em Pirituba, bem na rua da casa da Áurea... Essa estação chamava-se Skylab, isso era meados de 1978, depois fiquei sabendo que ele caira em meio ao pacífico em milhares de pedacinhos... Sempre fui muito sagaz, sempre em busca de informações, de descobertas, eu tinha uma caverna só minha, a qual eu abastecia com Ki-suco jarrão, e levava sempre uns bolinho de chuva que a Aurea fazia... Eu era um cara feliz!... Tinha uma coleção de bichos, aranhas, escorpiões, formigas saúvas, e diversas outras (ESPÉCIMES) Nunca entendi o porque usam essa palavra, sempre foram espécies mesmo!... Mas minha mente estava sempre voltada para o céu, minha mente e meus olhos... Eu vi o Cometa de Halley, tem noção disso?... Eu já vi balão meteorológico e pensei que fosse uma nave repleta de incas venusianos, já vi estrela cadente, fiz pedido até... Mas depois falaram que era um meteorito que ao entrar na atmosfera pegava fogo. Nunca mais fiz pedido... Eu vi disco voador, de tudo que é tipo, mas os verdadeiros discos voadores que vi, foi quando irritei a minha Mãe, ela pegou uns discos meus e jogou feito bumerangue... Caramba, sempre sonhei com o celestial, e depois descobri que se chamavam celestiais, porque eram do céu, pela sua cor celeste... Sei que é por isso que sempre amei a cor azul... Antigamente diziam que se encontrar com os anjos, era privilégio das crianças, e que quando adulto isso acontecia quando o fulano batia as botas... Meu negócio era o céu!... Aquilo sempre me intrigou, o porque eu tinha essa ligação quase que louca pelo céu, ele regia a minha vida... Mas ai fui crescendo, tomando responsabilidades, e as vezes me pegava olhando para o céu somente para ver se iria chover ou não...
Ontem me vi pensando nisso!... Relembrando de quando eu era feliz por apenas querer tocar o céu, descobrir o que tinha por detrás daquele imensidão azul... Fiz algumas incursões ao passado. Ou seria excursões ao tempo em que era feliz? Isso me deu uma saudade doentia das pessoas que se foram, dos amigos que perdi. Me lembrei da minha avó, do Lauro, não me lembro do meu Pai, mas pensei nele também, vi o César me protegendo, me chamando de garoto estranho, ,e provocando... Uma vez eu escutei por detrás da porta uma conversa dele e da minha Mãe, ele dizia pra ela que eu era um cara muito inteligente, que eu tinha ou seria alguém especial. Eu nem dei atenção, pensei que ele estivesse puxando o saco da minha Mãe, ou que tivesse comido demais e o feijão houvera subido para a sua cabeça e ao se misturar com seus neurônios, haviam confundido o pobre rapaz... Caramba meu Deus, que saudade me deu!... ( A coisa do feijão com os neurônios é verdade, sempre tive cada ideia de maluco )... Já me lancei de estilingue humano, já entrei em rio que tinha piranha, e depois de sair morri de medo, porque tinha uma unha encravada... Coisa de Celso.!... Senti falta de quando eu olhava para o Céu... Me senti criança, e com isso me veio o vazio que a falta das pessoas que amava me fizeram naquele instante... Ontem não foi um bom dia!... Tentei olha para o céu, mas ele não me dizia as mesmas coisas que antes, ali não tinha mais as esperanças que antes eu achava, meus olhos não mais brilhavam como quando eu olhava para o azul do céu... Havia perdido o meu céu!... Mas não era o céu dos justos e bonzinhos, o céu das igrejas que eram catequizados em suas missas, nem o céu cantado nas serenatas românticas... Aquele era o meu céu, onde estavam guardadas as coisas mais importantes e preciosas da minha vida!... Mas ele não era mais o mesmo!... Me perguntei porque?...
Fitei o céu novamente com meus olhos de adulto, que em poucos instantes brilharam como outrora quando eu era criança, e num marejado misturado de olhar de saudade e vislumbramento eu me descobri vendo novamente a mesma imensidão maravilhosa, imponente, infinita, incólume, o mesmo azul agora escurecido pela noite com suas estrelas e galáxias longínquas, e a lua voltou a ser um enorme queijo suíço, senti novamente a vontade de passar minha mão ali para que entre o vão dos meus dedos eu pudesse tocar as preciosidades que aquele lugar de sonhos continha... Foi quando me dei conta de que aquele meu céu estava vazio, e que jamais seria o mesmo, pois tinha me dado as duas coisas mais valiosas que havia nele... Eu percebi que não preciso olhar para o céu para ver o que de mais maravilhoso tenho na vida, essas coisas estão aqui na terra... O Céu nunca mais foi ou será o mesmo pra mim, depois que você meu Raio de sol entrou na minha vida, e depois que meu anjo nasceu!... Mas ainda vou continuar olhando pra ela, pois sei que ainda existem ali alguns tesouros que estão guardados e que me pertencem... E que pra lá foram aqueles que tanto amei!... Inclusive a senhora viu D Áurea!...
Carolina / Filhão... Vocês dois são o meu sol!...
... Não tenho condições nem palavras para dizer a dimensão do que sinto, mas farei isso com certeza!... Aqui o que quiz dizer é que o meu amor é bem maior que tudo que existe, ele é do tamanho do infinito!... Eu te amo!... E sei que vou te amar, por toda a minha vida!... Pela vastidão do universo!... Do tamanho do meu céu!...
Celso Leal
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
“Via Láctea” Olavo Bilac.
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