Venderei minha alma...
Não haverei de ser fiel a mulher alguma, não mais me prenderei a um amor somente... Me deitarei com todas elas promovendo não a promiscuidade da carne, mas a poligamia dos sentimentos, o exaltar da esbórnia das incertezas, a luxuria dos desejos mortos e impedidos antes mesmo de nascerem... Vou celebrar a morte do amor puro... Serei como o vento que sopra em redemoinhos sem direção, trazendo em vórtices um turbilhão de sensações perdidas e a devastação das emoções sentidas...
Eu me amarei ao mesmo tanto e troco ao qual fui amado, e te amar hei porque para isso fui destinado!... Sofrerei, sentirei a doce maldição eterna de amar o que não se tem, sem amar o que me é dado... Venderei a minha alma a preço de libré, com a aparência rota e maltrapilha, tão desgrenhada como o pedinte em seu traje de linho rasgado, que outrora novo um dia, foi surrado pelo tempo e a espera daquilo que nunca teve...
Vou trilhar meu caminho como o andarilho sem rumo que procura o horizonte perdido na vastidão dos seus olhos, em um olhar que de tanto procurar, se perdeu permanente do destino querido, e hoje enxerga esquecido do brilho que acendia a cada palavra sua... Nessa minha busca para te encontrar, perderei noites de sono a esperar que a aurora te traga da mesma forma que fora embora, repentinamente!... Por caminhos tortuosos eu seguirei a direção dos passos que me mostrou, encontrarei razão na loucura perene, e acreditarei nas esperanças inesperadas de uma volta ao viver... Talvez vague pelos pântanos da solidão em busca da minha consciência, escalando os picos de nostalgia e saudade, que surgem nessa minha caminhada sem a sua companhia...
Venderei minha alma, darei em troca de compreensões baratas, colos inoportunos, prazeres lúdicos... Por dinheiro de mentira, trocados humildes e passagens de segunda classe para lugares que não vou querer estar... Entregarei minha essência a sortilégios obscuros e sem valores pudicos...
Eu perdi minha alma!
Eu a perdi, vendi, doei, entreguei, me desfiz!...
Eu vendi minha alma, ela agora não me pertence mais!...
Preciso buscar minha redenção...
Celso Leal.
24/11/2010
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