sexta-feira, 7 de maio de 2010

Soneto da Fidelidade...

De tudo, ao meu amor serei atento


Antes, e com tal zêlo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e darramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contetentamento.



E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama



Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, pôsto que e chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes

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